IMPRENSA
Domingo, 8 de Agosto de 1999
Para Conseguir Dupla Cidadania - Revista da Folha
do Jornal A Folha de São Paulo.
O direito de permanência e trabalho nos países
da União Européia e a possibilidade
de trânsito em muitos outros, como os Estados
Unidos, têm sido responsável por um aumento
no número de pedidos para obtenção
de dupla cidadania por descendentes de italianos,
espanhóis e portugueses residentes no Brasil.No
entanto, apesar de assegurado constitucionalmente,
o processo envolve a comprovação detalhada
de vários documentos e pode ser longo e demorado.Para
agilizar, alguns profissionais oferecem serviços
de auxílio no levantamento no Brasil e no exterior,
retificação e tradução
de documentos. No caso da Itália, o direito
à dupla cidadania é concedido, de forma
geral, a filhos, netos e bisnetos de italianos, guardadas
algumas restrições legais.O escritório
de Andrea Girello presta consultoria
especialista em processos de obtenção
de cidadania italiana, incluindo a busca de certidões
em todas as províncias italianas, a retificação
de papéis e o encaminhamento dos documentos
para tradução legal, nos moldes exigidos
pelo Consulado. Caso seja necessário encontrar
uma certidão na Itália, por exemplo,
o serviço de busca simples, em local especificado,
..... o atendimento é
personalizado e a verificação do direito
à dupla cidadania, com base na legislação
italiana, é feito gratuitamente. Copyright© 1997, Empresa Folha da Manhã
Domingo, 10 de Junho de 2001
Trânsito facilitado na Europa - Jornal do Brasil.
De olho em vantagens derivadas de se possuir passaporte
bordeaux (vermelho escuro que colore o documento europeu),
muitos brasileiros evocam suas raízes na Velha
Senhora. Quem quiser dar o primeiro passo em direção
à dupla nacionalidade e ao passaporte bordeaux
(que facilita a vida de viajante pela Europa e até
nos Estados Unidos) deverá observar onde está
pisando. Apesar de constituírem um mercado comum com
livre trânsito de seus cidadãos, os países da Europa
têm legislações específicas para abrigar novos
conterrâneos.Neste aspecto, pode-se dividi-los em
dois grupos: o dos que oferecem pouca ou nenhuma
dificuldade para a obtenção do passaporte aos
descendentes diretos de seus cidadãos - do qual
fazem parte, por exemplo, Portugal e Espanha; e o
grupo no qual se inclui a maioria dos países
europeus, com processo para obtenção de cidadania
lento e restrito. ''As cidadanias inglesa e francesa
somente são reconhecidas de pai para filho'',
explica Andrea Girello, que
cuida de aproximadamente 400 processos do gênero
por ano. Consulados como o da Inglaterra e da França
fazem, por exemplo, entrevistas minuciosas com os
interessados em obter dupla nacionalidade. Documentos
- Para fidalgos italianos, o problema é localizar
os documentos exigidos. A dupla nacionalidade pode
ser concedida até o tataraneto do italiano,
desde que se recupere as certidões das quatro
gerações anteriores. Além das
certidões de nascimento, são exigidos
as de casamento e de óbito (se for o caso).
No caso das mulheres descendentes de italianos, a
situação é restrita: somente
seus filhos nascidos a partir de 1948 têm o
direito a cidadania. Isto porque, até a Constituição
daquele ano, primeira desde que fora implantado o
regime republicano no país, o reconhecimento
de nacionalidade era um privilégio negado às
mulheres. Ainda em relação à
Itália, há uma restrição
que envolve disputas territoriais. Com o fim das guerras
napoleônicas, em 1815, a Áustria se apropriou
do Norte italiano até 1870. Assim, descendente
de um cidadão, por exemplo, de Trento (ao Norte
da Itália) nascido antes daquele ano, não
terá direito ao documento europeu. Portugal
- A cidadania portuguesa é reconhecida até
o bisneto do natural daquele país. A condição
é que nenhum dos parentes que separam o ascendente
português do interessado estejam mortos e que
tenham adquirido a dupla nacionalidade. ''Se o pai
de um solicitante não tiver obtido a dupla
nacionalidade, terá de fazê-lo para viabilizar
o interesse do filho'', esclarece
ANDREA. A embaixada
lusa não estabelece limites de idade para a
concessão da cidadania. Mais rigoroso, o Consulado
da Espanha só concede a cidadania a descendentes
menores de 23 anos. Mesmo em tal condição,
apenas filhos e netos de espanhóis e filhos
de espanholas têm o direito. Para a obtê-lo,
são necessárias certidão de nascimento
e de casamento dos interessados e dos parentes. Cônjuges
- Quase uma regra geral: para virar europeu, o cônjuge
recém-casado deve viver no país de seu
esposo(a) durante três anos ininterruptos. Desta
forma, acaba perdendo a nacionalidade brasileira.
''No entanto, quem se casou com um descendente de
italiano antes de 1983 (data da aceitação
do divórcio na Itália) pode ainda adquirir
a dupla nacionalidade'', observa a especialista. A
nacionalidade é muito almejada por jovens que
planejam estudar na Europa. Integrantes do Mercado
Comum Europeu têm acesso facilitado a universidades,
que podem custar até três vezes menos
para cidadãos europeus. Além de vantagens
acadêmicas, a dupla cidadania facilita a vida
dos viajantes na entrada e saída dos países
que integram a União Européia. Adeus
a filas - Quem já foi para a Europa sabe. Ao
chegar a qualquer um de seus aeroportos, cidadãos
com o passaporte bordeaux à mão ingressam
em uma fila diferenciada, por onde passam sem delongas
e livres de interrogatórios. ''Estrangeiros
são obrigados a responder a diversas perguntas
sobre gastos no país e tempo de estada'', observa
ANDREA. Destino preferido dos brasileiros, os EUA,
que mantêm estreitas relações
com a União Européia, não exigem
dos detentores do passaporte bordeaux o visto de entrada
para o país. Na alfândega americana,
os visitantes são divididos em ''europeus''
e ''outros''. Copyright© 1995, 2000, Jornal do Brasil
Setembro de 2003
Conseguir a cidadania italiana diretamente na Itália
agora é uma realidade - Portal Pino Ulivi.
No mês de setembro de 2003
tive o grande prazer de conhecer a DOUTORA
Andrea Girello, titular da
"DUPLA CIDADANIA" que, além de operar no
Brasil através da sua sede de São Paulo, há vários
anos opera também na Itália dando entrada ao processo de reconhecimento
da cidadania diretamente no Comune de origem do
antepassado italiano, ou em outros Comuni que já
provaram de trabalhar bem com a cidadania e de
conhecer a fundo as normas e procedimentos relativos.
Durante nossa conversa tive a felicidade de
aprender coisas que desconhecia, como o fato que na
Itália a documentação prevista é menor daquela
requerida no Brasil, pois lá (por exemplo) não é
necessária a certidão de óbito, dispensa militar,
divorcio e nascimento dos cônjuges, a não ser que eles
também queiram a cidadania.
A DOUTORA ANDREA
sublinhou também que normalmente seu escritório prefere
os requerentes que já possuem toda a documentação
(certidão negativa de naturalização e as outras
certidões brasileiras e italianas) pois, não tendo que
buscar os documentos, poderá fazer tudo o necessário
de forma mais rápida. As traduções são feitas pela
mesmo escritório pois conhece a fundo as exigências
especificas das autoridades italianas e, mesmo que o
requerente as tenha já feito, o escritório examinará a
oportunidade de refazê-las integralmente. De qualquer
forma, caso o requerente não tenha ainda nada ou tenha
somente alguns documentos, o escritório pode fazer tudo
desde o inicio, pois com sua organização é
perfeitamente em condição de oferecer um serviço
completo e eficiente, como realizar a busca dos
documentos na Itália e no Brasil, certidão negativa de
naturalização, correção de nomes se assim for
necessário, legalização de toda a documentação,
requerimento na Itália do visto de permanência,
residência no Comune escolhido, seguro saúde, montagem
de todo o processo e outras necessidades burocráticas.
Declarou também que, a partir do momento em que toda a
documentação será pronta, num período máximo de dois
meses (muitas vezes menos), o interessado terá a
cidadania reconhecida, além da carteira de identidade
e eventualmente o passaporte italiano. Sublinhou enfim
que o interessado não deverá preocupar-se com nada
pois será recebido por um seu representante
diretamente no aeroporto e conduzido para o local que
utilizará como sua residência durante o tempo
necessário para obter sua cidadania, local este que
foi já providenciado pelo escritório da Itália,
visando com isso uma maior comodidade e tranqüilidade
para os requerentes. Não conheço exatamente o custo de
toda a operação, mas é preciso lembrar que o processo
de cidadania é realizado tudo na Itália, portanto tudo
que será feito será pago em Euro e,
considerando o alto custo de vida europeu em relação
ao Brasil, não poderá certamente sair muito barato. De
qualquer forma maiores informações e detalhes
pecuniários serão fornecidos diretamente pela
DOUTORA Andrea Girello. Pessoalmente acredito
que vale a pena fazer um sacrifício econômico em nome
da segurança e da velocidade oferecida, pois não
podemos esquecer que um processo apresentado num
Consulado Italiano aqui no Brasil não é concluído
antes de 5 ou 6 anos, ou talvez mais. Para evitar
dúvidas ou interpretações erradas, sublinho que não
estou aqui afirmando que é impossível conseguir o
reconhecimento da cidadania diretamente na Itália sem
a ajuda de um escritório mas, pela experiência adquirida
através de pessoas que já tentaram, posso afirmar que
sozinhos é sem duvida muito mais difícil, pois é
bastante comum esbarrar em procedimentos burocráticos
que envolvem altos gastos e que no final acabam por
tornar muito mais oneroso o processo, além de estar
expostos ao risco de retornar ao Brasil sem ter obtido
êxito algum. Em propósito é bom lembrar que estando em
território italiano, é fundamental o conhecimento do
idioma local e que, como em toda repartição pública,
existem certos trâmites legais que poderiam criar
sérios problemas aos menos informados, mas que não
representam um obstáculo para quem já os conhecem. Por
tudo isso, é de fundamental importância analisar a
fundo não somente os eventuais riscos, mas também a
relação custo beneficio, e somente depois tomar sua
própria decisão
Pino Ulivi - Copyright© 2003, Pino Ulivi
Março de 2004
Tornar-se cidadão italiano não é tarefa fácil (trechos
da matéria) - Portal Brasileiros na Itália,
Agora Noticias.
Os brasileiros descendentes de italianos estão fazendo
o mesmo que fizeram os seus antepassados: cruzar o
Atlântico em busca de maiores oportunidades de
trabalho e de uma vida melhor. As dificuldades
econômicas, a escassez de vagas no mercado de trabalho
e os crescentes índices de violência no Brasil têm
feito com que milhares de brasileiros partam para uma
longa viagem em busca da cidadania italiana que lhes
irá abrir as portas da União Européia. Mas conquistar
o cobiçado passaporte bordô não é tarefa fácil. No
percurso incluem-se filas, procura por certidões de
pais, avôs e bisavôs, correções de nomes, traduções
juramentadas, carimbos e muita paciência. Apesar
disso, estima-se que existam hoje no Brasil quase 100
mil processos de cidadania em andamento nos seis
consulados italianos presentes no país. A média de
familiares representados em cada processo é de cinco
pessoas.
A grande demanda e o reduzido número de funcionários
disponibilizados pelos consulados impede que os
processos sejam concluídos em um tempo razoável. O
tempo de espera para obter a cidadania italiana após a
entregada de todos os documentos, traduções e
legalizações necessários é de no mínimo dois anos.
Somente no consulado italiano de Curitiba, que atende
aos Estados do Paraná e Santa Catarina, existem pelo
menos 23.800 processos de cidadania em andamento, o
que corresponde a cerca de 90 mil pessoas à espera de
se tornarem oficialmente italianas. "Temos 4
funcionários disponibilizados para os serviços de
cidadania. O tempo de espera para a conclusão de um
processo é de no mínimo 8 anos", afirma ao Agora
Notícias o Cônsul Geral, Mario Trampetti.
Para tentar agilizar a concessão da cidadania aos
filhos, netos e bisnetos de italianos espalhados pelo
mundo, em 1991 o governo italiano publicou uma
circular permitindo que os processos fossem realizados
diretamente na Itália. Mas somente em 2002, após a
crise financeira da Argentina - e que levou milhares
de argentinos de origem italiana a dormirem diante aos
consulados -, o governo italiano instituiu um visto
especial para facilitar a permanência dos estrangeiros
na Itália durante o andamento do processo de
cidadania. Mas nem mesmo na Itália o caminho é menos
tortuoso. Os órgãos italianos responsáveis pela
concessão da cidadania não são unânimes quanto aos
documentos a serem apresentados. Em algumas cidades é
preciso, por exemplo, apresentar um seguro saúde e um
atestado de antecedentes criminais. Em outras, a lista
de documentos é a mesma prevista pelos consulados no
Brasil (www.embitalia.org.br).
.....
Para Andrea Girello, da
Dupla Cidadania, as dificuldades do processo
de cidadania na Itália são subestimadas. "As pessoas
pensam que é fácil, mas o reconhecimento na Itália é
muito complexo, cheio de pequenos detalhes, como por
exemplo o visto de permanência", explica. "Além disso,
cada Comune (administração municipal) trabalha de um
modo diferente, não existe uma uniformização. Já fiz
processos em "comunes" que nem sabiam que era possível
conceder cidadania a brasileiros netos ou bisnetos de
italianos" .
ANDREA
garante que em três meses seus
requerentes se tornam cidadãos italianos. "Fazemos
cerca de 10 processos por mês na Itália. Só
aceitamos os casos depois de confirmarmos a
existência de todos os documentos que comprovem o
direito à cidadania italiana", explica. Os serviços
do escritório - que
incluem ainda a recepção e hospedagem do requerente -
...... Para quem ainda está na fase inicial, encontrar
uma certidão de nascimento na Itália custa, através do
escritório, pouco menos de 1000 euros.
... Para os que decidem partir para
pátria de Dante Alighieri sem a ajuda de uma agência
os riscos de voltar para casa sem o sonhado passaporte
são grandes. "Ou porque faltam documentos, ou porque
não foram preparados adequadamente, ou porque o visto
não é correto. Além disso, muitos não conhecem as
leis, não falam italiano e supõem que todos os
italianos falem inglês. Imaginar que com o jeitinho
brasileiro se resolve tudo é entrar numa fria e acabar
gastando muito mais", explica
ANDREA.
Apesar de não existirem estatísticas sobre o fenômeno,
são muitos os que partem do Brasil com uma única
certeza: a de serem descendentes de italianos. "Eu e
meu marido, que é neto de italianos, decidimos tentar
uma vida melhor na Europa. Deixamos o trabalho e
viemos para cá com nosso filho. Não falávamos italiano
e não sabíamos da necessidade de um visto para estar
na Itália. Por estar no país irregularmente, ele não
pode dar entrada no processo de cidadania. Agora ele
trabalha como pedreiro e não temos nem mesmo o
dinheiro para voltarmos para o Brasil", afirma a
recifense R.M.L., que vive na região de Milão. A
exploração de imigrantes clandestinos é um outro fator
relevante para quem pretende se aventurar. R.M.L.
conta ao Agora Notícias que o marido muitas vezes
recebe o salário com grandes atrasos, mas por razões
óbvias, o empregador não é denunciado. Outra proposta
de extorsão partiu de um policial italiano que,
através de conhecidos da família, propôs que os
passaportes dos três fossem carimbados como se eles
tivessem entrado no país há menos de 8 dias, dando a
eles a possibilidade de se apresentassem à Questura
como turistas apenas aterrissados no país. O preços da
salvação na terra prometida seria de 200 euros por
carimbo.
....
Seja qual for o caminho escolhido para a conquista da
cidadania italiana, uma estrela da sorte é sempre
benvenuta. Copyright© 2004, Portal Brasileiros
na Itália - Agora Noticias
Segunda-feira, 16 de
abril de 2007, 14h32
Consulados suspendem legalizações - Revista Insieme
CURITIBA-PR - Uma reviravolta, sem prévio aviso, nos
procedimentos para o reconhecimento da cidadania
italiana ‘jus sanguinis’ a partir da Itália pode
estar fazendo muita gente perder dinheiro e voltar
frustrada para o Brasil: é que o governo italiano
aboliu a permissão de estada (‘permesso di
soggiorno’) de curto período (menos de 90 dias) e,
sem esse permesso, os que buscam a cidadania não
podem obter o atestado de residência nos municípios
italianos – documento indispensável para a entrada
dos papéis. Os pretendentes agora só conseguem
encaminhar os requerimentos se ficarem na Itália por
mais tempo, mas para isso devem se enquadrar nalgum
dos casos previstos. Naturalmente, gastando mais
dinheiro.
A mudança na expedição do ‘soggiorno’, a princípio,
nada tem a ver com descendentes de imigrantes
italianos interessados no reconhecimento da
cidadania italiana. Pelo menos é assim que parece e
é enfatizado pelas autoridades. Mas, pelo menos para
a América do Sul e, em especial, para o Brasil, onde
milhares atravessaram o oceano como turistas em
busca da cidadania italiana, a mudança tem
conseqüências fatais e está causando outras mudanças
sem precedentes: os consulados, antes literalmente
atropelados pelas “filas das legalizações”,
imediatamente bloquearam os serviços de autenticação
de documentos alegando razões “cautelares”. E, ato
contínuo, passaram a policiar também as solicitações
de ‘soggiorno’ de longa permanência, cientes de que,
como ocorre com águas represadas, a demanda acabará
rompendo diques e encontrando um jeito de rolar em
direção à foz.
Os efeitos colaterais da medida (ela entrou em vigor
em 20 de fevereiro, primeiramente através de um
decreto-lei) em toda a América do Sul onde o
contencioso da cidadania é enorme, já eram de certa
forma previsíveis para alguns, incluindo
representantes no CGIE e presidentes de Comites, mas
estes silenciaram, alegando segredo. “Não posso
falar sobre o assunto”, repetiu Gianluca Cantoni,
presidente do Comites do PR/SC. Até que os
consulados, de forma muito semelhante e quase ao
mesmo tempo, resolveram suspender o serviço das
chamadas legalizações em meio a informações
desencontradas, incluindo algumas que sustentavam o
“fim da dupla cidadania”.
Somente em meados de abril é que começaram a ser
esboçadas algumas reações. Capitaneadas por uma
carta escrita aos deputados e senadores da América
Latina pelo conselheiro do CGIE, Claudio Pieroni, de
São Paulo, tais reações incluíam também a
possibilidade de protestos em praça pública diante
dos consulados. “Nós, da América Latina, somos os
mais, ou talvez únicos, penalizados com a demora no
reconhecimento das cidadanias – escreveu Pieroni aos
parlamentares – e a única alternativa para não ficar
na fila de espera por 50 anos foi aquela de
apresentar o pedido diretamente aos municípios
italianos”. Pieroni fala em mais de 500 mil pedidos
sem atendimento no Brasil. E volta a argumentar pela
necessidade de uma “força-terefa” dentro dos
consulados, enquanto pede a adoção de medidas
urgentes que restabeleçam o ‘status quo’, isto é, a
possibilidade de apresentação pessoal do
requerimento aos municípios italianos se a
necessidade de longa permanência na Península.
Na verdade, talvez isso nem fosse preciso a
prevalecer a informação e o entendimento jurídico da
advogada Andrea Girello, de São Paulo.
Especialista em processos de reconhecimento da
cidadania ‘ius sanguinis’, ela explica que qualquer
descendente de imigrante italiano com presumido
direito ao reconhecimento de sua cidadania pode
entrar na Itália (e ali permanecer por um ano
inteiro) com o ‘permesso di soggiorno in attesa
della cittadinanza’. Um permesso, entretanto, sobre
o qual nenhum consulado falou e seus comunicados
bilíngües e que o cônsul Riccardo Battisti, de
Curitiba, diz desconhecer por completo.
Paradoxalmente, a reviravolta causada pela supressão
da exigência do permesso para períodos inferiores a
90 dias, entretanto, pode ter aspectos positivos
também para os que buscam o reconhecimento da
cidadania italiana ‘ius sanguinis’. É que, livres
das “filas da legalização”, os consulados não terão
mais a desculpa até aqui recorrente de que a
“coberta é curta demais” para deixar de lado as
“filas da cidadania”. E, assim, os que aguardam
pacientemente nessas enormes listas - em muitos
casos há cerca de dez anos sem resposta - poderão
vir a ser atendidos pela ordem cronológica de
entrada, conforme fora prometido à época. Sem gastar
- como gastam todos os que vão em busca do direito
em território italiano, mesmo em curtas temporadas -
enormes somas de dinheiro, para alegria de
atravessadores, intérpretes, tradutores, locadores,
advogados e companhias aéreas.
Além disso, outros milhares, cujo requerimento
sequer foi recebido no correr dos últimos tempos,
poderiam, finalmente, dar sinal de que também
pretendem a certidão de nascimento como cidadãos
italianos que são, de fato e de direito, por
princípio constitucional. Sem falar de outros
milhares - e é isso que mete medo em algumas áreas
da burocracia italiana - que, por descendência pelo
lado materno antes de 1948, também poderão pleitear
igual tratamento desde que projeto de lei nesse
sentido em trâmite no Parlamento italiano seja,
aprovado.
Como isso vai ser resolvido, eis a questão. O
consulado de Curitiba, por exemplo, continua fechado
para novos pedidos, conforme comunicado datado de 20
de março, quando também anunciou-se a revisão da
lista de espera que foi retirada, há cerca de quatro
meses, do site do órgão na internet. A lista,
segundo o mesmo comunicado, “está sendo submetida a
uma revisão e atualização e será publicada tão logo
seja possível” - uns três ou quatro meses, segundo
antecipa. Copyright© 2006 Desiderio Peron - Insieme

Matéria veiculada pelo Portal Terra em 2002
Dupla cidadania é o
caminho para viver na Itália
Antes um dos grandes
exportadores de mão-de-obra do planeta, hoje o país
precisa de mais estrangeiros para manter aquecida
sua economia, uma das mais desenvolvidas da Europa.
Entretanto, o processo para se obter a cidadania
italiana pode ser muito trabalhoso. Leia mais
Itália
O desenvolvimento econômico da Itália na segunda
metade do século 20 fez com que o país, antes um
exportador de mão de obra, se tornasse centro de
atração de imigrantes de todo o mundo. Um dos
grandes pólos econômicos da Europa, a Itália é
membro do G8, grupo dos países mais poderosos do
mundo. O parque industrial italiano é desenvolvido,
mas muito concentrado no norte do país. O sul da
península e a ilha da Sicília são regiões
tradicionalmente empobrecidas, o que causa um forte
desequilíbrio socio-econômico.
Centenas de milhares de
imigrantes ilegais foram para a Itália a partir dos
anos 90. A maioria destes estrangeiros vem de países
da antiga Cortina de Ferro (em especial, muitos
albaneses) e do norte da África. Curdos vindos da
Turquia, do Irã e do Iraque também cruzam o Mar
Mediterrâneo para tentar a vida na península. Esta
enorme leva de imigrantes ilegais foi o principal
alvo de campanha de Silvio Berlusconi, que venceu as
eleições para primeiro-ministro em 2001.
O Brasil foi um dos países que
mais recebeu mão-de-obra da Itália nos séculos 19 e
20. Hoje, milhares de brasileiros descendentes de
imigrantes tentam obter a cidadania italiana,
buscando uma oportunidade de viver no país, ou em
outras nações integrante da União Européia (UE).
Entretanto, a vitória da coalizão direitista de
Berlusconi pode criar problemas para os brasileiros
que tentarem morar na Itália, mesmo em condições
legais. O país conta hoje com aproximadamente 1,2
milhão de imigrantes legais (cerca 2% da população).
Redação Terra
Como obter a cidadania italiana
O processo para obtenção da cidadania italiana é
teoricamente mais simples se comparado com os de
outros países, pois a pessoa interessada poderá ter
qualquer tipo de ascendência italiana (filho, neto,
bisneto etc.) para conseguir o passaporte. No
entanto, existem alguns obstáculos burocráticos e
outros decorrentes da lei italiana que dificilmente
são superados após alguns anos de muito trabalho
(isto quando são superados).
Primeiramente, a descendência
deve sempre seguir a linha paterna. Ou seja, um
bisneto de italiano só pode pedir a cidadania se o
ancestral tiver gerado seu avô e seu pai. Segundo a
Constituição da Itália, os descendentes diretos de
mulher italiana só podem requerer a cidadania se
tiverem nascido depois de 1º de janeiro de 1948.
Assim, uma mulher italiana que tenha tido uma filha
brasileira não pode reconhecer a cidadania para seus
netos. Isto poderia acontecer somente se a italiana
tivesse gerado um filho. Então, seus netos nascidos
após 1948 poderiam pedir o passaporte. Esta
determinação é considerada discriminatória e ilógica
por muitos especialistas.
A cidadania
italiana também pode ser reconhecida à mulher casada
com um descendente de italiano (a mulher não
reconhece a cidadania), desde que o matrimônio seja
anterior a 27 de abril de 1983. Depois disto, a
mulher pode pedir a naturalização depois de três
anos. É necessário fazer o requerimento de uma
certidão de casamento registrada no cartório
italiano. Quando receber o documento da Itália, o
requerente deve apresentar:
-
requerimento (conforme modelo fornecido no
consulado ou embaixada)
-
certidão de nascimento (2ª via da original com
firma reconhecida)
-
comprovante de residência (declaração feita por
duas testemunhas com firma reconhecida)
-
declaração conjunta feita por ambos os cônjuges
-
folha
corrida
Os
documentos devem ser traduzidos por um
profissional reconhecido pelo corpo diplomático
e apresentados no original e em três vias
simples.
São necessários ainda:
cópia
do passaporte brasileiro em quatro vias
autenticadas
certidão de casamento emitida pelo cartório
italiano (original e três vias simples)
Redação Terra
Veja os documentos exigidos
O Consulado da Itália em Porto Alegre informa
que, antes de iniciar o recolhimento dos
documentos, è indispensável conhecer a
localidade exata de nascimento do antepassado
que poderia reconhecer a cidadania. Caso o
interessado não saiba a localidade exata do
nascimento, ou se souber apenas a província ou
região (Estado), não é possível obter a Certidão
de Nascimento, impossibilitando a abertura do
processo.
Caso alguém da família já
tenha obtido o reconhecimento da cidadania, não
é necessário fornecer todos os documentos
indicados, mas somente aqueles que ainda não
foram apresentados relativos ao núcleo familiar
do interessado. Por exemplo, se um primo já
obteve o reconhecimento, significa que os papéis
do avô já foram apresentados. Logo, a
documentação a ser entregue começa com a
Certidão de Nascimento do pai ou da mãe que
reconhece a cidadania.
Na apresentação dos
documentos, o interessado deve preencher e
assinar uma ficha de cadastro na representação
diplomática, exigida para as pessoas vivas e
maiores de 18 anos.
Segundo o Consulado de Porto
Alegre, os documentos relacionados a seguir
devem ser apresentados no original, sem qualquer
legalização ou tradução. Estes papéis também não
serão sujeitos a transcrição junto as
prefeituras italianas.
1 - Registro de Nascimento ("estratto
dell'atto di nascita") do ascendente italiano
que irá originar a cidadania, emitido pela
autoridade civil da cidade onde ocorreu o
nascimento. Caso o ascendente tenha nascido
antes da existência dos registros civis,
apresentar a Certidão de Batismo (ou de
Nascimento da igreja), com respectivo
reconhecimento feito pela Cúria, e o atestado da
cidade da não-existência de registros civis na
época.
2 - Certidão Negativa de Naturalização, emitida
pelo Ministério da Justiça brasileiro, obtida
mediante requerimento. Ali deve constar o nome
do ascendente italiano, com as eventuais
variações do nome nos registros brasileiros (ex:
Giuseppe/José, Giovanni/João e alterações no
sobrenome). Se o ascendente ainda estiver vivo,
basta apresentar a Carteira de Identidade para
Estrangeiros (R.N.E.), no modelo atual ou
protocolo de recadastramento.
3 - Registro de Casamento emitido pela cidade na
Itália ("estratto dell'atto di matrimonio"),
caso o ascendente tenha se casado na Itália.
Também são necessários os
seguintes documentos de registro civil em
original, com legalização, fotocópia e tradução
para italiano feita por tradutor indicado pela
Representação (estas certidões serão assentadas
no Registro Civil Italiano e devem ter firma
reconhecida por um tabelião da jurisdição
consular correspondente ou junto ao Ministério
das Relações Exteriores):
1 - Certidões de Registro
Civil, desde o ascendente italiano até o
descendente brasileiro candidato à cidadania.
Exemplo: se o cidadão italiano emigrou para o
Brasil e casou-se aqui, então a documentação
brasileira a ser apresentada começa com a
Certidão de Casamento. Na seqüência, vem a
Certidão de Óbito (se for falecido), depois a
Certidão de Nascimento do filho nascido no
Brasil, sua Certidão de Casamento e assim até o
último interessado. É necessário apresentar
ainda a Certidão de Nascimento das esposas que
se casaram antes de 27 de abril de 1983, por
terem adquirido automaticamente a cidadania
italiana, e portanto deve também ser registrada
na Itália.
2 - Certidões sobre situação militar dos
pretendentes à cidadania do sexo masculino, com
idade entre 18 e 45 anos. Devem ser fornecidas
duas fotocópias autenticadas, em frente e verso,
do Certificado Militar de Dispensa, Isenção,
Reservista ou da Ativa, acompanhadas de duas
vias de tradução feita por um tradutor indicado
pela Representação.
Redação Terra
Veja como a dupla cidadania pode facilitar sua
vida
Benefícios incluem até comodidades com
universidades estrangeiras
Publicado em
31/01/2008 - 13:00
Por Marcel Frota
Pense na possibilidade de pagar muito mais
barato pelo curso dos seus sonhos no exterior.
Imagine não ter de se sujeitar a um subemprego
durante a temporada no estrangeiro e poder até
concorrer a um concurso público por lá. Agora
adicione a tudo isso, facilidades de entrada em
diversos países do primeiro mundo, sem demoras
nos setores de imigração e nem desconfianças ou
riscos de ter negado o ingresso a esses países
na última hora. Já pensou em poder
votar para presidente
em outro país? Difícil imaginar isso somente com
um passaporte brasileiro. Politicamente correto
ou não, o fato é que cidadãos de países
subdesenvolvidos sofrem sim discriminação no
trânsito entre
fronteiras e em vários outros aspectos nas
nações desenvolvidas. Essa situação é confirmada
por quem já passou por uma
situação dessas e por quem orienta
viajantes freqüentemente.
A coisa se agravou ainda mais quando o cenário
internacional inclui duas das principais
potências militares do planeta, os Estados
Unidos e a Grã-Bretanha, envolvidos em guerras.
Mas as facilidades descritas acima não são
utopias para quem conseguiu o privilégio de
conquistar a chamada dupla cidadania. A
Constituição brasileira permite a obtenção de
outras cidadanias sem que isso implique na perda
da nacionalidade brasileira. A Carta estabelece
que um brasileiro só perde
sua cidadania se assim desejar e manifestar
formalmente este desejo por meio de um processo
burocrático. De qualquer forma, esse processo
pode ser revertido. De olho na oportunidade de
poder ser cidadão de um país desenvolvido,
Guilherme Svizzero,
27 anos, decidiu largar a vida no Brasil em
busca de seu passaporte italiano. Depois de se
formar em Direito na Unisul
(Universidade do Sul de Santa Catarina),
Svizzero trocou a
capital catarinense pela cidade de Milão, no
norte da Itália, onde mora há cinco meses.
A
mudança é parte do esforço para
agilizar o processo
de obtenção da dupla cidadania, já que se
permanecesse no Brasil teria de esperar muito
mais tempo com chance muito menor de sucesso. A
decisão de sair do Brasil foi catapultada em
função do sucesso que a prima dele teve no mesmo
processo. Com a papelada relativamente
adiantada, ele decidiu seguir os passos da
prima. Além dos interesses profissionais,
Svizzero tem uma
motivação a mais na busca da dupla
nacionalidade, o amor pela namorada. Em 2004,
ele embarcou num cruzeiro pelo Mediterrâneo, mas
nada de férias. Svizzero
decidiu trabalhar como barman no navio. Queria
aprimorar o inglês, conhecer o mundo e é claro,
ganhar algum dinheiro. Trabalhava num regime
pesado de tarefas que chegava a uma carga
horária de quase 18 horas por dia. Foi lá, nos
últimos dias do cruzeiro que conheceu aquela que
seria sua namorada, Verity.
Ela era dançarina no mesmo cruzeiro, mas no
final da viagem os dois inevitavelmente se
separariam, já que ela teria de voltar à terra
natal, a Inglaterra, e ele ao Brasil. Eles
chegaram a morar juntos aqui, mas
Verity teve de
retornar à Inglaterra.
Svizzero
afirma que o desejo pela dupla cidadania é
anterior à relação dele com a namorada.
"Independentemente da minha relação com a
Verity, já pensava
em obter a dupla cidadania. Sempre pensei que ia
ser uma facilidade para mim. Para qualquer lugar
que você vai, a polícia te enxerga com outros
olhos (quando a origem é um país em
desenvolvimento). Infelizmente o mundo é assim,
existe preconceito", afirma
Svizzero. Ele conta a recente experiência
que teve no posto de
imigração em Londres, quando passou mais de
vários minutos entre apresentação de documentos
e explicações sobre o que pretendia naquele
país, num processo que normalmente não
demora tanto. "Parece que você é um criminoso,
os caras perguntam tudo, normalmente esse
processo demora um minuto. Mostrei passaporte,
extrato de cartão de crédito, contrato social de
uma empresa que tenho, falei
sobre minha formação em Direito e me exigiram o
diploma que por sorte havia levado. Quiseram
saber onde ia ficar, quanto dinheiro levava e o
que ia fazer", lembra ele. Hoje,
Svizzero mora com a
namorada em um apartamento em Milão e aguarda o
desfecho de seu pedido, o que ele prevê que deva
acontecer em dois meses. Ele ainda não definiu
com absoluta certeza o que fará depois de
conseguir a cidadania italiana, mas cogita atuar
na área de Direito no Velho Continente.
Quando conseguir o passaporte italiano,
Svizzero não terá
apenas prerrogativas asseguradas na Itália. O
assessor de relações internacionais da UFPR
(Universidade Federal do Paraná), Antonio Carlos
Gondim,
que também é vice-presidente
do FAUBAI (Fórum das
Assessorias de Universidades Brasileiras para
Assuntos Internacionais), destaca que a criação
dos blocos regionais, como o caso da União
Européia, trouxe um atrativo a mais para os
candidatos à dupla cidadania em países que
compõe o bloco. Isso porque, qualquer cidadão de
um dos 27 países membros da União Européia é
considerado cidadão europeu. Ele dá um exemplo
em cima da situação em que um brasileiro obtenha
a cidadania italiana. "Além dos privilégios no
Brasil e na Itália, essa pessoa terá passe livre
em todo o bloco. Da mesma forma que um europeu
que consiga cidadania brasileira, poderá
usufruir dos privilégios que qualquer brasileiro
tem no âmbito do
Mercosul, como
por exemplo poder viajar pelos países do bloco
com apenas o porte da carteira de identidade",
diz Gondim.
O
secretário de relações internacionais da UFRGS
(Universidade Federal do Rio Grande do Sul),
Paulo Fagundes Visentini,
destaca algumas das origens da chamada dupla
cidadania. Segundo ele, esse processo começou
ainda no século XIX, com a independência das
colônias na América em relação às suas
respectivas metrópoles européias. Havia grande
quantidade de colonizadores nascidos na Europa,
mas que viviam na América. Esses foram os
primeiros beneficiários da dupla cidadania. Mas
ele lembra que a tendência cresceu recentemente.
"A partir das décadas de 1970 e 1980, com o
envelhecimento da população européia os países
passaram a abrir a possibilidade de que os
descendentes de imigrantes que vieram para cá
pudessem requerer a cidadania desde
que comprovassem uma série
de coisas", explica ele, que destaca uma
característica do Direito Europeu que
possibilitou isso. "O Direito europeu é mais
baseado no critério sangüíneo. Tem menos
importância o aspecto geográfico. Há países que
permitem a dupla cidadania para atrair (pessoas
mais jovens)", declarou
Visentini.
Mas o secretário de relações internacionais da
UFRGS alerta que as pessoas devem ter cuidado ao
lançar mão desta estratégia. Ele afirma
que muitos não conhecem o
país que pretendem adotar como segunda pátria e
que isso pode gerar problemas. "A dupla
cidadania é usada por muitas pessoas de classe
média como uma espécie de solução individual
para seus problemas aqui. As pessoas acham que a
vida nesses países é mais fácil. Muitos chegam a
esses países e descobrem que a coisa não é bem
assim. Existe um processo de adaptação e elas
terão obrigações a cumprir. Há o problema em
relação ao futuro também, sobre como fica a
situação deles em relação à seguridade social",
alerta Visentini.
Carla Andrea Girello, uma das proprietárias da
"Dupla Cidadania", especialista em
processos desse tipo junto às autoridades
italianas, também destaca os inúmeros pedidos de
passaporte já causa incomodo aos países da
Europa. "Isso acarreta muitos problemas para
esses países, em várias áreas, como nos sistemas
de educação e saúde", declara ela. Carla revela
aquilo que Gondim
abordou com a questão dos blocos econômicos.
"Muitas pessoas que têm direito à cidadania
italiana não ficam na Itália. Tão logo conseguem
a documentação, migram para outros países, como
Espanha, Inglaterra e Portugal", afirma ela.
O escritório de Carla funciona há 12 anos e atende
uma média de 30 clientes por mês, o que inclui
jogadores de futebol famosos que fecham contrato
com clubes europeus e vão em
busca da cidadania local para evitar as
restrições da UEFA
(União das Associações
Européias de Futebol), entidade que
administra o futebol na Europa. A
UEFA determina uma
cota máxima de jogadores estrangeiros por clube,
para evitar a formação de verdadeiras seleções
mundiais pelos poderosos clubes do continente,
algo que descaracteriza a origem nacional dos
clubes. Carla já foi procurada por atletas como
Diego Lugano,
Juliano Beletti (que
jogaram no São Paulo),
Tadei (ex-jogador do Palmeiras) e Bruno
Octávio (atualmente no Corinthians), entre
outros.
Entre as facilidades que a dupla cidadania com
países desenvolvidos oferece, Carla destaca
desde a possibilidade de trânsito mais flexível
entre fronteiras até o direito a voto. Há ainda
direito a participação em concursos públicos,
abertura de empresas e contas bancárias e
melhores relações com universidades. "Na Europa,
as universidades têm preços menores para cursos
de graduação e pós-graduação para os chamados
comunitários (cidadão
europeus). São valores diferentes
daqueles cobrados dos imigrantes", revela ela.
Mas no sentido das relações com as
universidades, fora a questão financeira,
Gondim faz questão
de ressaltar que as
instituições de ensino superior
estrangeiras não têm distinção entre os
candidatos a bolsas. "Nesse caso, vale o mérito
acadêmico", garante ele.
O
público que busca os serviços de Carla é o mais
variado, além dos atletas, pessoas
que já moram fora e querem
permanecer por lá, funcionários de
multinacionais que são destacados para trabalhar
em filiais no estrangeiro e aqueles que
buscam uma oportunidade fora do Brasil. "As
pessoas se decepcionam com a situação no país e
saem. Tem muita ilusão também, acha que vai sair
daqui para ganhar em Euro, mas não pode esquecer
que vai gastar em Euro também", diz Carla. Ela
também alerta para os custos desse processo,
entre taxas cobradas pelos países e os valores
cobrados pela seu escritório, o custo de um dupla
cidadania não sai por menos de
8 mil Euros e demora
cerca de seis meses para ser concluído. Mas se o
interessado quiser tocar o processo
pessoalmente, terá de ter muita paciência,
segundo Carla as filas de espera para a
tramitação dos pedidos de reconhecimento de
cidadania podem chegar a 15 anos. A agilidade
que a empresa dela fornece se dá em função de
sua atuação na Itália, já que ela mantém um
escritório completo naquele país.
Site
Universia
http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=15293
A saga pelo passaporte italiano
Cerca de 75 mil pessoas estão na fila para
receber a cidadania italiana no
Consulado-Geral da Itália em Curitiba
Mais de 500 mil pessoas estão na fila para
retirar a cidadania italiana no Brasil.
Desses, cerca de 75 mil aguardam a aprovação
do documento no Consulado-Geral da Itália em
Curitiba, responsável pelo atendimento do
Paraná e Santa Catarina. Os dados são
estimados pelo consulado e pela Embaixada da
Itália em Brasília.
Além de ser um processo naturalmente lento,
que envolve a análise detalhada e a
comprovação de vários documentos e
certidões, a atual demora na concessão de
cidadanias no Brasil é agravada pelo pequeno
número de funcionários nos consulados e o
cada vez maior interesse dos
ítalo-descendentes em possuir dupla
cidadania. Quem entrar com o pedido hoje num
consulado no Brasil terá de aguardar, no
mínimo, 20 anos,
diz acreditar a advogada
Andrea Girello,
dona do escritório Dupla Cidadania, com sede
em Curitiba e na Itália e especialista em
processos de obtenção de cidadania italiana.
Passo a passo
Veja o processo para adquirir cidadania
italiana por descendência:
1 - Verificar o direito à cidadania. A
cidadania italiana não tem limite de
geração, se sempre houve descendência do
lado paterno. Se a descendência é materna,
há restrições. Filhos de italianas têm
direito à cidadania apenas se nascidos após
1º de janeiro de 1948.
2 - Entrega de documentos e certidões. Para
isso, é preciso montar a árvore genealógica.
A documentação básica são as certidões de
nascimento, casamento e óbito (quando for o
caso) de todas as linhas ascendentes até o
parente que é italiano.
3 - Aguardar a convocação do consulado. A
espera em Curitiba, por exemplo, pode
demorar até 20 anos.
Uma média de cem processos (por núcleo
familiar e não por pessoa) é concluída todos
os meses pelo Consulado em Curitiba, segundo
o cônsul-geral, Riccardo Battisti. O número
de requerimentos foi tão grande que o
escritório na capital chegou a suspender o
recebimento de novas aplicações, mas o
processo foi reaberto no ano passado. As
cinco filhas do curitibano Mário Bardini
estão na fila desde 2001. “Fiz o
requerimento apenas para elas, pensando
nelas. Amanhã a gente nunca sabe o que pode
acontecer, se alguma delas quiser sair, ir
embora do país, (a cidadania italiana)
ajudaria”, diz Bardini, que é filho de
italiano, mas não tem a cidadania. Pelo
ritmo atual, as Bardini devem ser chamadas
apenas depois de 2011. Atualmente, o
consulado está analisando os requerimentos
feitos em 1998 – uma defasagem de dez anos
entre o pedido e a concessão da cidadania.
O potencial da fila é grande. O Brasil tem
28 milhões de descendentes de italianos.
Além dos 500 mil na espera, apenas outros
215 mil já retiraram a cidadania. Uma opção
encontrada para agilizar o processo é fazer
o requerimento na Itália (veja texto de
opinião ao lado). Por lá, a cidadania demora
de 4 a 6 meses, mas é preciso comprovar
residência no país. O custo de fazer via
Itália também é maior. As agências
especialistas em prestar assessoria ao
requerente na Itália cobram de 2 a 10 mil
euros, dependendo do serviço pedido.
O governo do premier Romano Prodi, que caiu
no fim de janeiro passado, havia prometido
uma força-tarefa para agilizar os processos
no Brasil. “Agora, não há garantia alguma
que essa promessa seja mantida”, afirma um
diplomata italiano, que pediu anonimato.
Muito pelo contrário, o diplomata diz
acreditar que a tendência é que o Parlamento
italiano passe a restringir a concessão de
cidadania. “Há muita pressão de outros
países, como dos EUA e até da União
Européia, que percebem uma procura pela
cidadania italiana por pessoas que querem
usá-la apenas como visto. É uma filosofia
errada. A cidadania é direito sim, mas
também é dever”, diz ele.
Publicado em
06/04/2008 |
Curitiba - Breno
Baldrati, da Redação
- JORNAL GAZETA DO POVO
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